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José Félix Alves Pacheco

Publicado: Quinta, 04 de Março de 2021, 10h25 | Última atualização em Sexta, 06 de Mai de 2022, 19h33 | Acessos: 1213

Nasceu em Teresina, no Piauí, em 2 de agosto de 1879. De família proeminente no cenário político do Piauí, era filho de Gabriel Luís Ferreira e de Maria Benedita Cândida da Conceição Pacheco. Seu pai era juiz, membro do Partido Conservador, tendo sido presidente do estado (1891) e deputado federal (1894-1895), seu irmão João Luís Ferreira, também foi governador do Piauí (1920-1924), e deputado federal (1925-1927). Iniciou seus estudos no prestigiado Colégio Karnak, fundado por seu pai, que funcionava em regime de internato e acolhia principalmente jovens do interior. Em 1890 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Militar, e cursou a Faculdade de Direito, tendo se bacharelado em 1899. Em 1897 ingressou como revisor do jornal O Debate (1899-1901), onde trabalhou ao lado de nomes como Alberto Torres, Eduardo Sabóia e Otto Prazeres. Em 1899 foi para o Jornal do Comércio (1827-2016), dirigido por José Carlos Rodrigues, o mais antigo e um dos mais conceituados jornais do Rio de Janeiro, ao lado do A Gazeta de Notícias. Respeitado pela elite política e financeira brasileira, pelo Jornal do Comércio passaram nomes como José Clemente Pereira, Felisberto Caldeira Brant Pontes Oliveira e Horta, o marquês de Barbacena, Joaquim Manuel de Macedo, Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay, o visconde de Taunay, Tristão de Alencar Araripe Júnior, Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, Alcindo Guanabara, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o barão do Rio Branco, Rui Barbosa e Lima Barreto. Fez uma longa carreira no Jornal do Comércio, onde foi repórter policial, secretário de redação, editor-chefe, diretor da edição paulista e, finalmente, sócio-proprietário. Ingressou na política como deputado federal pelo Piauí (1909-1911), tendo sido reeleito para as legislaturas 1912-1914, 1915-1917, 1918-1920, e senador 1921-1923 e 1924-1926. Por seu trabalho como repórter policial interessou-se pelo estudo de identificação de pessoas baseado no sistema antropométrico, já utilizado por outros países e que vinha sendo testado no Distrito Federal e em Porto Alegre (1895) e São Paulo (1897). Foi fundador e diretor do Gabinete de Identificação e Estatística Criminal do Distrito Federal, criado em 1903, departamento administrativo autônomo, mas subordinado à Secretaria de Polícia do Distrito Federal, que receberia seu nome em 1941. Foi nomeado ministro das Relações Exteriores pelo presidente Artur Bernardes (1922-1926), tendo renunciado ao cargo de senador. Sua gestão à frente da pasta foi marcada pela retirada brasileira da Liga das Nações, após negada a reivindicação pela criação de assento permanente em seu Conselho para Brasil, previsto para os Estados Unidos, mas que seria designado a Alemanha. Foi ainda ministro interino da Justiça e Negócios Interiores, em julho de 1924, sendo o titular João Luís Alves. Concorreu e venceu a eleição para o Senado em 1927, mas teve sua candidatura impugnada pela Justiça, que deu vitória ao seu concorrente, o marechal Firmino Pires Ferreira, resultado da disputa política das oligarquias políticas e da cisão do Partido Republicano Piauiense. Afastado da política partidária, voltou-se à direção do Jornal do Comércio, que havia comprado em 1924, tendo apoiado a candidatura de Getúlio Vargas e a Revolução de 1930. Desde muito cedo dedicou-se também à poesia, pertencendo à segunda geração dos poetas simbolistas brasileiros, tendo colaborado com jornais especializados como A Pátria Litericultura, e revistas como Rosa-Cruz e da Academia Piauiense de Letras. Produziu uma vasta obra literária, não apenas poesia, como também crítica literária, ensaios, estudos diversos e traduções, sendo tradutor e divulgador obra do poeta francês Charles Baudelaire. Publicou Chicotadas, poesias revolucionárias (1897), Via  Crucis (1900), Luar de amor (1906), Poesias (1914), No limiar do outono, (1918), Lírios brancos (1919), Poesias (1932), Baudelaire e os milagres do poder da imaginação (1933), O mar através de Baudelaire e Valéry (1933), Paul Valéry e o monumento a Baudelaire em Paris (1933) e Baudelaire e os gatos (1933), mas também A independência do Poder Judiciário e as prerrogativas do Supremo Tribunal Federal (1913), A identificação pelas impressões digitais, tradução da obra de Edmond Locard (1903), Problemas de identificação e A excelência do sistema datiloscópico Vucetich e a criação dos gabinetes intercontinentais. Recebeu inúmeras condecorações, como a Grão Cruz da Ordem de Cristo (Portugal), de Grande Oficial da Ordem de Leopoldo III (Bélgica), Ordem de Dannafrog (Dinamarca), Cruz de Benemerência do Vaticano, e Grã Cruz da Ordem de Isabel, a Católica (Esdpanha). Em 1913 foi eleito para Academia Brasileira de Letras, na cadeira número 16, pertencente ao crítico literário Araripe Júnior. Morreu no Rio de Janeiro, em 6 de dezembro de 1935.

Daniela Hoffbauer
set. 2019.

 

Bibliografia

FALCI, M. B. K. Félix Pacheco: um piauiense no Jornal do Comércio. Revista do IHGB, Rio de Janeiro, n. 403, p. 474-481, abr./jun. 1999. Disponível em: https://bit.ly/2L3naDq. Acesso em: 4 mai. 2020.

FELIX Pacheco. In: ERMAKOFF, George (org.). Dicionário Biográfico Ilustrado de Personalidades da História do Brasil. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2012.

FÉLIX Pacheco. Academia Brasileira de Letras. Disponível em: https://bit.ly/3b02mrj. Acesso em 30 abr. 2020.

FELIX Pacheco.  In. ABREU, Alzira Alves de (coord.). Dicionário histórico-biográfico da Primeira república 1889-1930. Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: https://bit.ly/2Yz3Nuf. Acesso em: 30 abr. 2020.

MOLINA, Matías M. História dos jornais no Brasil: da era colonial à Regência (1500 a 1840). v. 1. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. 

SANTOS, Norma Breda dos. Diplomacia e fiasco. Repensando a participação brasileira na Liga das Nações: elementos para uma nova interpretação. Rev. bras. polít. int.,  Brasília ,  v. 46, n. 2, p. 87-112, Dec. 2003. Disponível em: https://bit.ly/3aZO4a9. Acesso em: 30  abr. 2020.

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