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Luís Felipe de Saldanha da Gama

Publicado: Quinta, 19 de Mai de 2022, 10h00 | Última atualização em Sexta, 10 de Junho de 2022, 17h33 | Acessos: 610

Nasceu em Campos, Rio de Janeiro, em 7 de abril de 1846. De família tradicional de proprietários de terra, era filho de José de Saldanha da Gama e de dona Maria Carolina Barroso de Saldanha, e neto de João de Saldanha da Gama de Melo e Torres Guedes de Brito, conde da Ponte. Em 1853, transferiu-se para o Rio de Janeiro com sua família – seu pai foi camarista da Casa Imperial – e estudou no Colégio Pedro II (1859). Iniciou carreira militar em 1861, tendo ingressado na Marinha como aspirante a guarda-marinha, e sido efetivado neste posto em novembro de 1863. Participou da Guerra do Uruguai (1864-1865), no cerco de Paissandu, contra o presidente Atanasio Cruz Aguirre, do Partido Blanco, em defesa de interesses brasileiros na fronteira. Lutou ainda na Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), que reuniu Brasil, Argentina e Uruguai contra as forças paraguaias de Solano López, tendo participado das campanhas de Timbó, Angustura, Curupaiti e Humaitá. Representou o Brasil na Exposição Mundial de Viena (1873), Exposição Universal da Filadélfia (1876) e Exposição Continental de Buenos Aires (1882), e foi ainda delegado no Congresso Marítimo Internacional, em Washington (1889). Foi secretário do almirante Artur Silveira de Mota, barão de Jaceguai, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em missão especial na China (1879). Foi o primeiro presidente do Clube Naval, associação militar criada, em 1884, para representar os interesses dos oficiais da Marinha. Em 1892, assumiu a direção da Escola Naval. Monarquista, não participou dos eventos que resultaram na Proclamação da República, como muitos de sua geração, e na renúncia de Deodoro da Fonseca. Apesar de sua oposição inicial, aderiu ao movimento e assumiu a liderança, ao lado de Custódio José de Melo e Eduardo Wandenkolk, da Revolta da Armada (1893-1894), em que um grupo dos altos oficiais se opôs a Floriano Peixoto (1891-1894), que assumira a presidência da República, exigindo a convocação de eleições presidenciais, conforme disposto na Constituição. Em seu manifesto de adesão reafirmou sua posição em defesa da restauração da monarquia, o que serviu para dividir o apoio político à revolta. Derrotada a Revolta da Armada, pela baixa adesão popular e forte oposição no Exército, pediu asilo aos navios portugueses que acompanhavam o conflito, em 13 de março de 1894, ao lado de cerca de quinhentos combatentes, que partiram nas corvetas Affonso d’Albuquerque e Mindello. Com outros 243 exilados, fugiu da embarcação portuguesa, estacionada em Montevidéu, o que levaria o governo brasileiro a romper relações diplomáticas com Portugal. Incorporou-se à Revolução Federalista (1893-1895), tal como Custódio de Melo, que lutava contra o presidente do estado do Rio Grande do Sul Júlio de Castilhos, apoiado pelas tropas federais. Participou do que foi considerado a última batalha da Revolução Federalista, o combate de Campo Osório, em Santana do Livramento, contra as tropas legalistas comandadas pelo general Hipólito Ribeiro. Recebeu as condecorações por sua participação nas guerras do Uruguai e Paraguai, e do Mérito Militar, além dos títulos de Cavaleiro da Ordem de São Bento de Aviz, Comendador da Ordem da Rosa e da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, e Cavaleiro da Ordem do Cruzeiro. Faleceu em Campo Osório, Rio Grande do Sul, em 24 de junho de 1895.

Dilma Cabral
Set. 2021

 

Bibliografia

ARIAS NETO, José Miguel. A Revolta da Armada de 1893: um fato construído. In: JANOTTI, Maria de Lourdes M.; PRADO, Maria Lígia C.; OLIVEIRA, Cecilia Helena de S. (org.). A história na política, a política na história. São Paulo: Alameda, 2006. p. 133-177.

GAMA, Luiz Filipe de Saldanha da. ACERVO ARQUIVÍSTICO DA MARINHA DO BRASIL. Disponível em: https://bit.ly/2VWEPpy. Acesso em: 21 set. 2021.

SALDANHA DA GAMA, Luís Felipe de. In: ERMAKOFF, George (org.). Dicionário biográfico ilustrado de personalidades da história do Brasil. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2012.

SALDANHA DA GAMA. BRASILIANA FOTOGRÁFICA. Disponível em: https://bit.ly/2XC26xG. Acesso em: 21 set. 2021.

SANTOS JÚNIOR, João Júlio Gomes dos. Entre barcos e telegramas: A crise do asilo diplomático depois do fim da Revolta da Armada (1894). Antíteses, v. 7, n. 13, p. 134-157, jan./jun. 2014. Disponível em: https://bit.ly/2XDCKzV. Acesso em: 21 set. 2021.

 

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