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Custódio José de Melo

Publicado: Quinta, 24 de Março de 2022, 10h09 | Última atualização em Terça, 10 de Mai de 2022, 12h01 | Acessos: 934

Nasceu em Salvador, Bahia, em 9 de junho de 1840. Era filho do tenente-coronel José Francisco e Melo e de Maria Rosa Moreira da Silva. Iniciou sua carreira militar em 1856, quando ingressou na Marinha como aspirante a guarda-marinha. Participou da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), que reuniu Brasil, Argentina e Uruguai contra as forças paraguaias de Solano López. Sobreviveu ao afundamento do encouraçado Rio de Janeiro, em 2 de setembro de 1866, torpedeado pelas forças paraguaias, e participou da batalha de Curupaiti. A partir de 1881, foi adido naval nas legações em Londres, Paris, Viena e Berlim. Foi presidente do Clube Naval (1887-1888) e fez parte da primeira diretoria do Clube Militar (1887) como vice-presidente, ao lado do general Deodoro da Fonseca, presidente, entidade que reunia oficiais abolicionistas e republicanos. Com a Proclamação da República, foi eleito deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte (1890-1891) e a legislatura ordinária (1891-1893), pelo estado da Bahia. Promulgada a Constituição, em 24 de fevereiro de 1891, coube ao Congresso realizar a primeira votação para os cargos de presidente e vice-presidente da República. Foram eleitos o presidente Deodoro da Fonseca, que derrotou o candidato civil Prudente de Moraes, e o vice-presidente Floriano Vieira Peixoto, que venceu o opositor, o vice-almirante Eduardo Wandenkolk, senador pelo Distrito Federal. Em 3 de novembro de 1891, em meio a uma grave crise política, o presidente Deodoro da Fonseca fechou o Congresso e decretou o primeiro estado de sítio após a promulgação da Constituição. Liderou unidades da Marinha que ameaçaram bombardear a cidade do Rio de Janeiro, no que ficou conhecido como Primeira Revolta da Armada e resultou na renúncia do marechal Deodoro, tendo assumido a presidência Floriano Peixoto. Foi nomeado ministro da Marinha (1891-1893), ministro interino das Relações Exteriores, de junho a dezembro de 1892, e ministro da Guerra, entre fevereiro e março do mesmo ano. Em sua gestão levou à frente projeto de modernização da Marinha por meio da aquisição de equipamentos e embarcações, reformulou o ensino recebido pelos oficiais na Escola Naval e construiu escolas de artilharia e de tiro de fuzil. Demitiu-se do Ministério da Marinha por discordância com o governo e liderou um grupo de altos oficiais na oposição a Floriano Peixoto, exigindo a convocação de eleições presidenciais, conforme disposto na Constituição. Conduziu, ao lado dos almirantes Eduardo Wandenkolk e Luís Filipe Saldanha da Gama, a Revolta da Armada (1893-1894), cujos bombardeios obrigariam o governo do estado a transferir sua sede de Niterói para a cidade de Petrópolis. Avançou para o sul para tentar uma aliança com as forças de Gaspar Silveira Martins, que liderava a Revolução Federalista (1893-1895) contra o presidente do estado Júlio de Castilhos, apoiado pelas tropas federais. Derrotada a Revolta da Armada, pela baixa adesão popular e forte oposição no Exército, parte dos revoltosos se asilaram em navios portugueses, que acompanhavam o conflito. Viveu em Buenos Aires, regressando ao Brasil somente após a anistia que lhe foi concedida pelo governo do presidente Campos Sales (1898-1902). Foi preso na Ilha das Cobras, na baía de Guanabara, por se recusar a compor comissão no estado do Amazonas. Foi nomeado vice-almirante em 14 de março de 1902, tendo comandado a viagem de circunavegação do cruzador Almirante Barroso (1888). Recebeu a Legião de Honra do governo da França e a Grã-Cruz da Ordem Militar de Aviz; e, por sua participação na Guerra do Paraguai, os títulos de oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, comendador da Real Ordem Militar Portuguesa de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e dignitário da Ordem do Cruzeiro. Dentre seus trabalhos publicados, destacam-se os livros Apontamentos para a história da Revolução de 23 de Novembro de 1891 (1895), Vinte e um meses ao redor do planeta: descrição da viagem de circunavegação do cruzador Almirante Barroso (1896) e, postumamente, O Governo Provisório e a Revolução de 1893: de 29 de novembro de 1889 a 5 de setembro de 1893 (1938). Morreu no Rio de janeiro, em 15 de março de 1902.

Daniela Hoffbauer
Maio 2021

 

Bibliografia

ARIAS NETO, José Miguel. A Revolta da Armada de 1893: um fato construído. In: JANOTTI, Maria de Lourdes M.; PRADO, Maria Lígia C.; OLIVEIRA, Cecilia Helena de S. (org.). A história na política, a política na história. São Paulo: Alameda, 2006. p. 133-177.

GOMES DOS SANTOS JÚNIOR, João Júlio. Entre barcos e telegramas: a crise do asilo diplomático depois do fim da Revolta da Armada (1894). Antíteses, v. 7, n. 13, jan-jun, p. 134-157, 2014. Disponível em: https://bit.ly/39oj0T8. Acesso em: 12 maio 2021.

MELO, Custódio de. In: DICIONÁRIO Histórico-Biográfico da Primeira República (1889-1930). Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: https://bit.ly/3nEUBkm. Acesso em: 12 maio 2021.

MELO, Custódio José de. In: ERMAKOFF, George (org.). Dicionário biográfico ilustrado de personalidades da história do Brasil. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2012. p. 835.

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