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Rodolfo Nogueira da Rocha Miranda

Publicado: Quinta, 28 de Outubro de 2021, 10h05 | Última atualização em Segunda, 29 de Novembro de 2021, 14h59 | Acessos: 292

Nasceu em Resende, no Rio de Janeiro, em 8 de novembro de 1860. De tradicional família ligada à expansão da cafeicultura no Vale do Paraíba, era filho de Amélia da Rocha Miranda e Luís da Rocha Miranda Sobrinho. Seu pai era proprietário de terras dedicado à cafeicultura e pecuária, foi tenente-coronel da Guarda Nacional e vereador pela cidade de Bananal, tendo recebido o título de barão de Bananal (1867). Seu avô paterno era o comendador Antônio da Rocha Miranda e Silva, proprietário rural em Resende, e o avô materno era o comendador Antônio José Nogueira, uma das maiores fortunas da cafeicultura do Vale do Paraíba, e chefe do Partido Liberal na região. Estudou na França, tendo feito curso superior no Colégio de França e na Sorbonne. Em 1883 fundou a fazenda Aretuzina em São Simão, São Paulo, seguindo a expansão da lavoura cafeeira para esta região. Defensor da causa republicana, muito jovem escreveu artigos sobre a temática para os jornais Eco Juvenil e Iracema. Integrou o Partido Republicano Conservador, mas filiou-se, em 1885, ao Partido Republicano Paulista (PRP). Fundador núcleo do PRP em São Simão, em reunião presidida por Francisco Glicério, elegeu-se vereador nesse mesmo ano. Em 31 de janeiro de 1888 teve aprovada pela Câmara Municipal moção de sua autoria em que solicitou a extinção da dinastia de d. Pedro II, conforme artigo 4º da Constituição de 1824, o que significava a mudança da forma de governo. Os vereadores foram suspensos e afastados, mas a moção foi reproduzida por outras câmaras municipais. Em 1889, encabeçou ainda um ato de desagravo ao Conde d'Eu, que fazia uma caravana de propaganda monarquista por São Paulo. Com a Proclamação da República assumiu a presidência do Conselho de Intendência Municipal de São Simão. Foi eleito deputado por São Paulo para a Assembleia Constituinte (1890-1891), pelo Partido Republicano Paulista, e para a legislatura ordinária (1891-1893), tendo se destacado por sua atuação em defesa dos temas de interesse da agricultura na elaboração da Constituição de 1891. Assumiu a pasta da Agricultura, Indústria e Comércio no governo Nilo Peçanha (1909-1910), criada por decreto legislativo n. 1.606, de 29 de dezembro de 1906, demanda antiga dos setores agrários, cujos trabalhos foram iniciados somente em 1909. Sua gestão foi responsável pela organização da nova pasta e pelo investimento em questões como o problema da mão de obra rural, do ensino agronômico e a diversificação e modernização da produção agrícola. Na organização do novo ministério foram previstos diversos órgãos especializados, como as diretorias de Indústria Animal e de Meteorologia e Astronomia, a Superintendência da Defesa da Borracha, a Inspetoria de Pesca e o Serviço de Algodão. Foram criadas a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (1910), os aprendizados agrícolas e o Serviço de Proteção aos Índios e Localizações dos Trabalhadores Nacionais, cuja finalidade era a inserção dos indígenas no trabalho rural (1910). Participou da Campanha Civilista, de apoio a candidatura de Rui Barbosa nas eleições de 1910, em oposição ao candidato militar Hermes da Fonseca, que sairia vitorioso. Foi eleito senador estadual de São Paulo para as legislaturas 1919-1922 e 1928-1930. Por ocasião da disputa presidencial em 1930, apoiou o nome de Júlio Prestes de Albuquerque, proprietário de terras paulista, que não assumiria o cargo em virtude ao golpe de 1930, liderado por Getúlio Vargas. Na década de 1920 adquiriu extensa faixa de terras na região de Araçatuba, que deu origem ao povoado de Alto Cafezal, parte integrante da cidade de Marília. Fundou ainda o que se tornaria a cidade de Pompéia, cujo nome é uma homenagem a sua esposa, Aretuza Pompéia da Rocha Miranda. Em tributo a sua atuação na região o município de Árbues teve sua denominação alterada para Mirandópolis, por ocasião de sua emancipação. Foi um dos diretores do jornal Correio Paulistano, fundado em 1854 sob orientação liberal, e que se tornou o órgão oficial do Partido Republicano Paulista a partir de sua criação, em 1873. Foi o primeiro presidente da Escola de Comércio Álvares Penteado, fundada em 1902. Morreu em São Paulo, em 13 de novembro de 1943.

 

Daniela Hoffbauer
Jul.  2020

 

Bibliografia

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1996.

FONSECA, Antonio Carlos da; FONTES JUNIOR, Abilio. Senado de S. Paulo: 1891-1930. Disponível em: https://bit.ly/2WfEZFJ. Acesso em: 8 jul. 2020.

MIRANDA, Rodolfo. In: Dicionário histórico-biográfico da Primeira República. Disponível em: https://bit.ly/2O3uZuu. Acesso em 22 jun 2020.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, INDÚSTRIA E COMÉRCIO (1906-1930). In: DICIONÁRIO da Administração Pública Brasileira da Primeira República (1889-1930), 2015. Disponível em: https://bit.ly/3fgIgfe. Acesso em 29 jun. 2020. 

MIRANDA, Nair da Rocha. Centenário de Rodolfo Nogueira da Rocha Miranda. Disponível em: https://bit.ly/2O8kZQU. Acesso em: 8 jul. 2020.

OLIVEIRA, Fausto Pires de Oliveira. Discurso de posse no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Disponível em: https://bit.ly/38Fpbkq. Acesso em: 8 jul. 2020.

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