Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

Francisco Pereira Passos

Publicado: Quinta, 26 de Dezembro de 2019, 12h00 | Última atualização em Quinta, 16 de Janeiro de 2020, 15h08 | Acessos: 112

Nasceu na cidade de São João do Príncipe, hoje Piraí, situada no Vale do Paraíba fluminense, em 29 de agosto de 1836. Era filho de Antônio Pereira Passos e de Clara Oliveira Passos. Seu pai se dedicou à cafeicultura na região e recebeu, na década de 1860, do imperador d. Pedro II, o título de barão de Mangaratiba. Iniciou seus estudos com preceptores na fazenda de sua família. Em 1850, aos 14 anos, veio para a Corte e ingressou no renomado Colégio São Pedro de Alcântara, onde completou seus estudos. Em 1853, ingressou na Escola Militar e se formou em engenharia civil três anos depois. Foi nomeado adido junto à missão diplomática brasileira em Paris (1857-1860). Durante sua estadia na capital francesa, completou sua formação na prestigiosa escola de engenharia civil, a École de Ponts et Chaussés, onde estudou arquitetura e a construção de ferrovias, portos e canais, além de se dedicar ao direito administrativo e à economia política. Nesse período, teve a oportunidade de acompanhar a remodelação da cidade empreendida pelo engenheiro Jean-Charles Adolphe Alphand (1817-1891), durante a gestão do então prefeito George Eugène, barão de Haussmann (1809-1891), no antigo departamento do Sena (1863-1870). Em 1860, retornou ao Brasil, empregando-se, primeiramente, nas atividades ligadas à construção de ferrovias, um ramo promissor à época devido à importância do setor cafeeiro para a economia agroexportadora brasileira. Primeiramente recebeu a incumbência de realizar estudos destinados à expansão da Estrada de Ferro de Cantagalo, de Porto das Caixas até Niterói, destinada ao transporte do café dos municípios de Cantagalo e Santa Maria Madalena. Depois, convidado pelo diretor da Estrada de Ferro Dom Pedro II, colaborou, ao lado de profissionais norte-americanos, no projeto de assentamento dos trilhos da segunda seção dessa ferrovia, que subiria a Serra do Mar, direcionando-se à região do Vale do Paraíba. Como funcionário do governo imperial, fiscalizou as obras da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, inaugurada em 1867, com o nome de São Paulo Railway. Supervisionou a construção da Estrada de Ferro Bahia-São Francisco e, depois, chefiou a comissão destinada a explorar e realizar estudos para as obras de prolongamento da Estrada de Ferro Dom Pedro II, que se estenderia até o rio São Francisco. Em 1870, passou a exercer o cargo de consultor técnico da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura e Obras Públicas, atuando como inspetor especial das ferrovias subvencionadas pelo governo brasileiro. De 1871 a 1873, esteve à frente das negociações para firmar um acordo definitivo sobre as pendências financeiras referentes à Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, quando então fixou residência em Londres. Ainda na década de 1870, foi convidado por Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá, a dirigir a empresa de sua propriedade, o Estabelecimento de Fundição e Estaleiros de Ponta de Areia, que, pouco tempo depois teve sua falência decretada. Em 1874, foi nomeado engenheiro da Secretaria de Estado dos Negócios do Império, cuja função era acompanhar todas as obras de engenharia do país, especialmente as que fossem executadas na Corte. Participou da Comissão de Melhoramentos da Cidade do Rio de Janeiro (1874-1876). Nesse período, a comissão, preocupada com as precárias condições de salubridade da capital da República, propôs uma ampla intervenção na área periférica e central da cidade por meio do alargamento, da retificação e da abertura de ruas, do arrasamento dos morros do Castelo e de Santo Antônio dentre outras medidas. Parte dessas obras foi, mais tarde, incorporada à reforma urbana ocorrida no início do século XX. Em 1876, foi nomeado diretor da Estrada de Ferro Dom Pedro II, cargo de reconhecida importância dentro da burocracia imperial, o qual exerceu até 1880. Realizou a construção do ramal ferroviário e da estação marítima na Gamboa, ambos inaugurados em 1880. No início dessa mesma década, frequentou cursos em renomadas instituições de ensino francesas – Sorbonne e Colége de France – além de prestar consultoria à Compagnie Générale de Chemins de Fer Brésiliens, encarregada de construir uma estrada de ferro no Paraná. De volta ao país, em 1881, foi morar nesse estado permanecendo até a inauguração do primeiro trecho da referida ferrovia, situado entre Paranaguá e a cidade de Curitiba. Assumiu a presidência da Companhia de Carris de São Cristóvão em 1882. Na sua gestão foi concebido o projeto e construído o primeiro trecho de turismo inaugurado na Corte, a Estrada de Ferro do Corcovado. Posteriormente ampliou seu âmbito de interesses, investindo na área privada, mais especificamente no ramo da construção civil. Em 1877, fundou uma serraria que se tornou uma das maiores empresas fornecedoras de madeiras utilizadas nas construções de moradias e mansões do Rio de Janeiro. Foi convidado no quadriênio do presidente Rodrigues Alves (1902-1906), cujo programa de governo era o saneamento e a remodelação da capital da República, para exercer o cargo de prefeito do Distrito Federal (1902-1906). Na sua administração, ocorreu a reforma urbana que lhe rendeu a alcunha de o ‘prefeito bota-abaixo’ devido às demolições dos cortiços e do antigo casario do centro da cidade, que deram lugar a novas ruas e avenidas, visando sanear a capital da República. Empreendeu ainda um amplo programa de remodelação que tinha por objetivo transformar o Distrito Federal numa ‘cidade civilizada’. Realizou inúmeras obras, como a abertura da Avenida Central (1905) e as de melhoria do porto do Rio, ambas custeadas pelo governo federal, o embelezamento do Campo de São Cristóvão (1906), o início da construção do Teatro Municipal (1905) – projeto do seu filho também engenheiro Francisco de Oliveira Passos – entre outras. Baixou inúmeras medidas que restringiram o comportamento da população citadina, constando entre elas a polêmica obrigatoriedade da vacinação contra varíola, cuja reação popular culminou na Revolta da Vacina (1904). Elaborou um breve relatório, a Caderneta de campo, com suas observações e normas práticas destinadas aos engenheiros ferroviários, publicada na década de 1870, em Londres, pela editora Beaufort House Printing. Escreveu junto com Jerônimo de Morais Jardim e Marcelino Ramos da Silva o primeiro e o segundo relatórios da Comissão de Melhoramentos da Cidade do Rio de Janeiro, anexos ao Relatório do Ministério dos Negócios do Império dos anos de 1875 e 1876 respectivamente. Morreu a bordo do navio Araguaia a caminho da Europa, em 12 de março de 1913.

Daniela Hoffbauer
Gláucia Tomaz de Aquino Pessoa
Maio 2019

                                              

Bibliografia

BENCHIMOL. Jaime Larry. Perreira Passos: um Haussmann tropical. 1992. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Coleção BIBLIOTECA CARIOCA, v. 11.

DIRETORIA-GERAL de Saúde Pública. In: DICIONÁRIO da Administração Pública Brasileira da Primeira República (1891-1930), 2018. Disponível em: https://bit.ly/2UfC14I. Acesso em: 13 maio 2019.

NEVES, M. de S. Os cenários da república. O Brasil na virada do século XIX para o século XX. In: DELGADO, Lucília de Almeida Neves; FERREIRA, Jorge Luís (org.). O tempo do liberalismo excludente – da Proclamação da República à Revolução de 1930. 6ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2013, p. 12-44. (O Brasil Republicano, v. 1).

PEREIRA PASSOS. In: ERMAKOFF, George (org.). Dicionário biográfico ilustrado de personalidades da história do Brasil. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2012.

PEREIRA PASSOS. In: ABREU, Alzira Alves de (org.). Dicionário da política fluminense, 2016. Disponível em: https://bit.ly/2Li1FyH. Acesso em: 10 maio 2019.

SEVECENKO, Nicolau. O prelúdio republicano, astúcias da ordem e ilusões do progresso. In: _____; NOVAIS, Fernando A. (org.). Historia da vida privada no Brasil. Da Belle Époque à Era do Rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, v. 3.

Fim do conteúdo da página